Depois de horas diante do computador, os olhos ardem, parece haver areia sob a pálpebra e a visão fica turva até a pessoa piscar várias vezes. Em alguns dias, os olhos lacrimejam sem parar, o que parece o contrário de secura. Esse conjunto de queixas é comum e tem nome: síndrome do olho seco.
O olho seco, também chamado de síndrome do olho seco, é uma doença da superfície do olho em que a lágrima não lubrifica nem protege o olho como deveria, por falta de produção ou por má qualidade. Causa ardência, sensação de corpo estranho, visão turva e sensibilidade à luz, e o tratamento depende da causa, definida em consulta.
O COI – Centro Oftalmológico Integrado, clínica de oftalmologia em funcionamento desde 2000, elaborou este conteúdo.
Neste artigo, você vai entender por que o olho pode estar seco mesmo produzindo lágrima, quais sintomas e causas se associam à doença, como o tratamento alivia o desconforto e quais exames confirmam o diagnóstico.
O que é a síndrome do olho seco?
A síndrome do olho seco é uma doença da superfície do olho em que a lágrima perde o equilíbrio e deixa de proteger e lubrificar o olho. Essa é a definição do TFOS DEWS II, relatório internacional de 2017 que reuniu especialistas de vários países e classifica o olho seco como uma doença multifatorial, ou seja, com mais de uma causa possível.
A expressão “olho seco” nem sempre descreve o que acontece. Muitas vezes o olho produz lágrima, mas a qualidade dela está alterada, e a lágrima evapora depressa demais. Enquanto alguns pacientes produzem pouca lágrima, outros produzem lágrima que evapora depressa, e o relatório trata os dois quadros como partes de um mesmo espectro, considerados juntos no diagnóstico.
Como a doença é diagnosticada com muita frequência nos consultórios oftalmológicos, os números mostram quem costuma ser mais afetado.
Quantas pessoas têm olho seco e quem desenvolve mais a doença?
Cerca de 18 milhões de brasileiros têm síndrome do olho seco, principalmente mulheres acima dos 40 anos. No mundo, um levantamento publicado reuniu os resultados de 119 pesquisas, com mais de 15 milhões de pessoas, e estimou que 34,6% da população tem olho seco.
Nesse levantamento, a taxa foi maior entre as mulheres (39,1%) do que entre os homens (30,8%), e um pouco maior acima dos 40 anos (37,0%) do que abaixo (35,0%). O número muda conforme o critério usado para definir a doença, de 6,9% a 53,8%, e por isso as estimativas diferem entre países e estudos.
Como o olho seco é frequente e se apresenta de formas diferentes, reconhecer os sintomas é o primeiro passo para buscar avaliação.
Quais são os sintomas do olho seco?
Os sintomas do olho seco são ardência, sensação de corpo estranho, secura ocular, dor nos olhos, lacrimejamento, visão turva e fotofobia, que é a sensibilidade excessiva à luz.
O lacrimejamento surpreende quem espera apenas secura. Ele pode ocorrer porque, em muitos casos, o olho continua produzindo lágrima, mas de qualidade alterada.
Além disso, quando os sintomas se prolongam por muito tempo, eles atrapalham as atividades profissionais e sociais. Alterações comportamentais, como a depressão, também podem acompanhar os quadros de olho seco.
Assim, como esses sintomas surgem em pessoas com históricos muito diferentes, a origem do problema varia, e as causas do olho seco formam uma lista longa.
Quais são as causas do olho seco?
O olho seco é uma doença multifatorial, e por isso não tem uma causa única. A lista abaixo agrupa as principais causas citadas pelos oftalmologistas, para mostrar que o problema pode vir do corpo, de medicamentos ou do ambiente.
- Alterações hormonais, como as da menopausa.
- Doenças: conjuntivites alérgicas, diabetes, doenças reumáticas (síndrome de Sjögren, artrite reumatoide e lúpus), doenças dermatológicas como a rosácea e inflamação das glândulas das pálpebras, que ajudam a formar a lágrima.
- Medicamentos: anti-histamínicos, anti-hipertensivos, psicotrópicos e anticoncepcionais. Nenhum remédio deve ser suspenso sem orientação médica.
- Lentes de contato, maquiagem e poluição, que irritam a superfície do olho.
- Deficiência de vitaminas A, C ou ômega 3, associadas à síndrome do olho seco.
- Uso abusivo de telas de celulares e computadores, porque nessas atividades as pessoas piscam de forma inadequada, o que contribui para a secura ocular.
Por exemplo, quem usa lentes de contato e sente secura deve rever os cuidados com as lentes de contato e comentar o sintoma na consulta.
Como a causa muda de pessoa para pessoa, o tratamento muda, e começa por cuidados simples no dia a dia.
Como tratar o olho seco?
O tratamento do olho seco combina cuidados diários, medicamentos com prescrição médica e, em casos raros, cirurgia. O olho seco é uma condição crônica, e o tratamento busca aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Quais cuidados do dia a dia ajudam a aliviar a secura ocular?
Os cuidados do dia a dia que ajudam a aliviar a secura ocular são remover a maquiagem de forma adequada, limpar com frequência os cílios e as pálpebras, fazer pausas no uso de celulares e computadores, evitar ambientes muito refrigerados e estimular o ato de piscar.
Na prática, as pausas atuam sobre o piscar reduzido diante das telas, e a limpeza dos cílios e das pálpebras atua sobre a inflamação das glândulas dessa região, outra causa já citada. Depois desses cuidados, o médico avalia a necessidade de medicamentos.
Quais colírios e medicamentos tratam o olho seco?
O tratamento do olho seco usa lágrimas artificiais, em colírio ou gel, e colírios anti-inflamatórios, sempre com prescrição médica. Em alguns casos, o médico também prescreve antibiótico, e pode indicar a reposição de vitaminas e ômega 3.
Como a escolha do colírio e dos demais medicamentos depende da causa e da gravidade, o ponto de partida é a consulta. O COI atende particular e convênios, e você pode marcar pelo agendamento online.
Quando a cirurgia dos pontos lacrimais e das pálpebras é indicada?
A cirurgia é indicada nos raros casos em que os sintomas não são controlados com os demais tratamentos. Um dos procedimentos é a oclusão dos pontos lacrimais, as pequenas aberturas nas pálpebras por onde a lágrima escoa, e outro são as cirurgias nas pálpebras. Além disso, o tipo de anestesia e a recuperação variam conforme o caso e são explicados pelo oftalmologista.
Assim, como a indicação de cada tratamento, inclusive a de cirurgia, depende da causa e da gravidade, o diagnóstico exige exame oftalmológico especializado.
Como é feito o diagnóstico do olho seco?
O diagnóstico do olho seco não é simples e exige exame oftalmológico especializado. Vários exames feitos no consultório confirmam a doença, e a lista abaixo mostra o que cada um avalia.
- Corantes oculares (fluoresceína e rosa bengala): colorem as áreas da superfície do olho que sofreram lesão.
- Teste de Schirmer: uma tira de papel colocada na pálpebra inferior mede quanto de lágrima o olho produz.
- Avaliação citológica das células da conjuntiva, a camada transparente que reveste o olho, feita em alguns casos.
A página de exames do COI reúne os demais exames oferecidos pela clínica. Apenas o oftalmologista tem condições de fazer o exame detalhado e indicar o tratamento adequado dessa doença comum e incômoda.
Como o diagnóstico depende desses exames, quem tem sintomas persistentes deve marcar uma consulta.
Como marcar uma consulta de oftalmologia no COI, no Tatuapé?
Se você tem ardência, sensação de areia ou visão turva que não passam, marque consulta com um oftalmologista. O COI – Centro Oftalmológico Integrado fica na Rua Padre Estevão Pernet, 718, andar 25, sala 2507, Tatuapé, São Paulo, perto das estações Tatuapé e Carrão do metrô. Você pode marcar pelo agendamento online, pelo WhatsApp ou pelo telefone (11) 2293-2911.
Perguntas frequentes sobre olho seco
O olho seco pode causar lacrimejamento? Sim. Em muitos casos o olho continua produzindo lágrima de qualidade alterada, e o lacrimejamento pode aparecer junto com a secura.
Celular e computador causam olho seco? Podem contribuir. Diante das telas, as pessoas piscam de forma inadequada, e isso favorece os sintomas de secura ocular. Pausas regulares no uso das telas fazem parte do tratamento.
A menopausa pode causar olho seco? Sim. As alterações hormonais, como as da menopausa, estão entre as causas do olho seco, e a doença aparece principalmente em mulheres acima dos 40 anos.
Posso usar colírio por conta própria para tratar o olho seco? Não. A escolha do colírio depende da causa e da gravidade do quadro, e só o oftalmologista pode indicá-lo, com prescrição médica.
Quem usa lentes de contato tem mais chance de ter olho seco? O uso de lentes de contato está entre as causas associadas ao olho seco. Se você sente secura ou ardência com as lentes, comente o sintoma com o oftalmologista.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um oftalmologista.
Sobre o COI
O COI – Centro Oftalmológico Integrado atende crianças, adultos e idosos desde 2000, com consultas, exames e cirurgias, e conta com o COI KIDS para oftalmopediatria.
Referências
- Craig JP, Nichols KK, Akpek EK, Caffery B, Dua HS, Joo CK, et al. TFOS DEWS II Definition and Classification Report. Ocul Surf. 2017;15(3):276-83. doi:10.1016/j.jtos.2017.05.008
- Xiao K, Li L, Zhang X, Ye Y, Yao Y, Liu Y, et al. Global prevalence of dry eye: a systematic review and meta-analysis. Cont Lens Anterior Eye. 2026;49(2):102627. doi:10.1016/j.clae.2026.102627
- Asbell PA, Maguire MG, Pistilli M, Ying GS, Szczotka-Flynn LB, Hardten DR, et al.; DREAM Study Research Group. n-3 fatty acid supplementation for the treatment of dry eye disease. N Engl J Med. 2018;378(18):1681-90. doi:10.1056/NEJMoa1709691